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Quarta, 22 Fev 2012

Os gênios envelhecem?

Os gênios envelhecem? Pense em Mick Jagger. Em tudo que ele, ao lado de Keith Richards, Ronnie Woods e Charlie Watts, produziu durante os anos 60, 70. Genial, não? Agora, lembre-se do que os Stones lançaram recentemente. Nada que se possa considerar indispensável, para  dizer o mínimo. Pois é exatamente essa a sensação que muitos aficionados por quadrinhos underground têm ao ouvir o nome de Robert Crumb. Não dá para questionar a obra do americano que é a maior referência do gênero. O cara que dividiu águas e que define a história dos quadrinhos.

Falar em AC e DC (Antes de Crumb, Depois de Crumb) é algo tão trivial que poucos teriam argumentos para sequer iniciar um questionamento mínimamente aceitável sobre o trabalho dele. Os fãs brasileiros (como, bem, o resto do mundo inteiro) consumiram a obra de Crumb com gosto e fizeram que edições especiais como a de Fritz the Cat, publicada no país há alguns anos pela editora Conrad, tivessem vendas acima das expectativas. Com isso, mais e mais publicações seguiram e resultaram até a presença do trabalho de Crumb na revista Piauí.

Pois bem, é nesse momento que chega aquela constatação instigante e perturbadora. Já  deu de Crumb? O jornalista André Forastieri (fã de Crumb e responsável pela edição de vários trabalhos dele no Brasil) fez exatamente essa pergunta em seu blog. E a resposta reflete o pensamento de muitos fãs. Sim, Crumb é o cara do underground e suas histórias são obras eternas. Não vão perder o impacto e a distorção de ideias causada na mente de quem as lê. Nem por isso Crumb será genial para sempre, em cada traço que faz. Sendo assim, existem aqueles que preferem se limitar as verdadeiras obras-primas do artista. O ‘contemporâneo’ pode ser digerido no dia a dia. Ou não...