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Quarta, 22 Fev 2012

Saudação a Ian Curtis

No dia 18 de Maio irá fazer 31 anos da morte de um dos meus ídolos, Ian Curtis, vocalista do Joy Division. O que restou da banda, depois do suicídio do vocalista, que se enforcou após assistir o filme Stroszek, como reza a lenda, é a eletrônica/rock New Order. Mandam bem, mas falta a peça inicial. O Ian Curtis era fundamental para a banda continuar com o vigor desesperado e sufocantemente emocionado.

É um prazer escutar os discos dos caras, sempre marcados pelo baixo terrível e volumoso de Stephen Morris e a guitarra cortante de Bernard Summer, a bateria ora minimalista e ora violenta de Peter Hook e entra o personagem principal em cena, o protagonista da peça, o maluco depressivo e genial Ian Curtis, com a beleza mórbida e elegância de sempre cativou punks, darks, pós-psicodélicos e toda espécie de depressivo.

Ian Curtis, um sujeito talentosíssimo e problemático, encarnou seriamente a imagem do poeta maldito. Marcou a vida de muitas pessoas. Eu costumava dizer, segurando as capas de vinil na mão, como um amante que agarra sua mulher, que uma coisa dessas, uma banda dessas, um vocalista desses, com essas letras, mudavam a vida de alguém, davam outro rumo para se entender e levar a vida. Sempre disse isso, pois foi o que aconteceu comigo pós-Joy Division. Mudei completamente meu modo de ver tudo, não tive medo de assumir nada, fosse o que fosse, eu sabia que Ian Curtis também vivera a loucura do mundo, não era só comigo que o mundo, aparentemente, andava ao contrário. Era uma relação, digamos indescritível e emocionada. Passover me emocionava muito, Love Will Tear Us Apart que é a mais conhecida, também é genial e linda, marcou algum romance inexistente em minha vida. Mas minha preferida mesmo é Twenty Four Hours, essa é de chorar de tanta angústia, uma sonzeira descomunal muito bem tocada e interpretada.

Eu costumava andar ouvindo no walkman todos os discos deles, andava de noite pelos piores lugares, olhava um bar, um homem na noite, um drogado ou uma prostituta e neles achava uma incrível relação direta com a música, que eu amava tanto e não conseguia encontrá-la. Mas não sabia eu, ainda, que eu vivia aquela música. Aquela ideologia de vida alternativa, como quem começa a se aventurar na cultura underground. Disseram que o Joy Division cantava o rock mais desesperado e melancólico já feito. Na minha adolescência mal resolvida, porém, eu era um garoto bem à frente de meu tempo, e o Joy Division fora essencial para eu continuar vivendo. Naquela época, quando todos escutavam Barão Vermelho, Paralamas, Ira e outras boas e medianas bandas nacionais, eu era considerado um ET, pois era o único com conhecimento e amor pelas bandas, lia e devorava todo livro de cultura geral, mas claro, só depois do Joy Division ter aparecido em minha vida.

Já pós-Joy Division, eu costumava dizer, mesmo que ninguém entendesse, que eu começava a enxergar o lado alternativo das coisas, como numa produção tosca, ou numa letra desesperada e essas coisas. Joy Division tinha uma importante obrigação dentro deles, mesmo que eles não soubessem, que era de se fazer arte, música sim, rock do bom e incendiário. Enquanto algumas bandas inglesas tentavam ser cool, exceto Echo and The Bunnymen e The Smiths é claro, o Joy Division apareceu com as letras sinceras, desesperadas, emocionadas e, muitas vezes, subversivas, que cativou milhares.