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Quarta, 22 Fev 2012

Arnaldo Mutante

Aqui vai uma resenha sobre o gênio maluco e underground Arnaldo Baptista, líder dos Mutantes, que sucumbiu às drogas e viveu a loucura do mundo e hoje vive recluso em Minas Gerais, onde se recupera da psicodelia intensa. Deixei de lado a bela fase mutante, os discos do Patrulha do Espaço, outro combo de Arnaldo e o esplendido disco "Loki?" para resenhar o fantástico "Singin’ Alone".

É um grande disco. A sensação que dá é que Arnaldo era a mãe de todas as músicas, parece um disco gerado no útero dele. Esqueça a psicodelia americana barata dos anos 60. Isso aqui meu amigo, é psicodelia da boa, expansão total do cérebro humano aos limites da racionalidade. E brasileiro.Os Mutantes? Nossa, eram brilhantes. Mas Arnaldo Baptista precisou enlouquecer de tantas drogas, se aventurar erradamente no progressivo "O A e o Z", abandonar o antigo grupo e lançar o estupendo "Loki?" para chegar a esse disco impecável, no mínimo. Muito à frente de seu tempo, essa belezinha tinha tudo para agradar darks, punks, pós-psicodélicos safra 80's e todo maluco depressivo e genial.

A primeira faixa lembra muito um Lou Reed mais deprimido que de costume, a terceira, Bomba H sobre São Paulo, é assustadora, percebe-se que Sr. Arnaldo realmente andava pelo lado escuro da vida. A oitava faixa, Ciborg, é brilhante onde ele, magistralmente, afirma que, num lugar muito interessante, avistou finalmente "os joelhos dos gigantes!" E as letras. Há! Sem comentários. Singelas, emocionadas, psicodélicas e loucas. A quinta faixa, "Jesus come back to Earth", planta um Jesus maluco, roqueiro, que nos trará paz, sorrisos e rock'n roll. Inacreditável.

A boa Corta Jaca, tem ainda uma surpresa. Uma participação, diga-se, especial mesmo. Tem músicas em inglês, o que não é problema, e músicas em português, o que fica melhor ainda. E a última música é a releitura da Balada do Louco, dele e dos Mutantes, genial, mais desvirtuada e agora sim, uma balada de louco! Simples, louco, complexo, progressivo, pop e bom. Muito bom. Todos têm de ouvir. Detalhe: Magistralmente, Arnaldo Baptista toca todos instrumentos.